Terça-feira, Junho 02, 2009
Essas viagens a trabalho proporcionam coisas curiosas. Ano passado pude sobrevoar um trecho da floresta amazônica, bem na meiúca do estado do Amazonas. Foi um sobrevoo curto, feito por helicóptero, sobre o Rio Amazonas e um pedaço da mata. Eu sequer imaginava ver algo tão absurdamente belo. A grandiosidade do rio, aquele verde que seguia rumo ao horizonte em qualquer direção que eu olhasse me fizeram esquecer por completo o medo de altura. Uma oportunidade ímpar, reveladora e capaz de encher de orgulho viver em um país que conta com algo dessa magnitude.
Por outro lado, voando sobre a mesma floresta, só que sobre estados como Pará e Mato-grosso a coisa muda de figura. A quantidade de clarões em meio a mata que deveria estar fechada é escandaloso. Viajar durante o dia permite ver, além das incontáveis clareiras, várias colunas de fumaça subindo ao céu. Esquisito pensar que é a mesma floresta – separada por algumas centenas de quilômetros, é verdade – mas deveria ser a mesma paisagem. Ao menos ser menos desmatado.
Enquanto uma visão é de maravilhar a outra é incomodamente preocupante.
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Mas nesse fim de semana, mais sorrisos às custas desses desencontros. Estava eu na academia e o professor, que me vê com frequência e me orienta naquelas coisas de puxar ferro e tal, aproximou-se e meio na dele e perguntou: "você é ator? você não é o Baiano de Tropa de Elite?. É que uma alunda achou que você era e pediu pra eu perguntar" Sei... É, pois é, não sou eu.
Pior que os cornos de um tem nada a ver com o fucinho do outro. Vá entender as associações tortas que as pessoas fazem. Haha.
Terça-feira, Maio 19, 2009
Sábado, Maio 09, 2009
Só que, independente do encontro, das boa companhias e das lembranças bacanas, chego em casa, ligo a televisão. Finzinho de sábado, e vou zapeando entre canais até a hora em que encontro, na ESPN, a final do Sul-americano de Futebol Sub17. Eu havia ido ao churrasco sobre o qual falei em cima com uma camisa da Seleção Argentina e começo a ver a partida final do torneio, um jogo em Brasil x Argentina. Cantam os hinos, acompanhei o Hino Nacional Brasileiro, ainda com a camisa da seleção dos hermanos, eis que, após mostrar os jogadores aparece a comissão técnica e lá está Paulo Rui. Sim e daí? Quem diabos é o sujeito?
Pois bem, é sabido que esse blogueiro que agora posta é torcedor do Clube de Regatas Flamengo, é também criado no querido bairro de Bangu, zona oeste carioca. Eis que o tal Paulo Rui é meu vizinho em Bangu. Foi ele que me levou ao Maracanã para assistir o primeiro jogo do Flamengo que tenho na memória, uma partida entre Flamengo x América, acredito eu, que pelo Estadual de 1984. Coisa de 25 anos atrás.
Ainda no ano passado fiquei sabendo que o companheiro Paulo havia sido convocado para a seleção sub 17, ele, embora grande rubro-negro, trabalha na formação de goleiros do Botafogo, esse mesmo que foi tri-vice pro Flamengo na semana passada. Nada na conta do Paulo, já que seu trabalho foi reconhecido, o próprio titular do Glorioso, o Renan, é cria do meu vizinho.
Voltando ao jogo, acabei me sentindo fora de propósito em ver o jogo que pode ser o primeiro título do companheiro na Seleção Brasileira justamente com a camisa do rival. Tirei a azul e branca e peguei uma verde e amerela. Já com a da Seleção Canarinho ouço o locutor gritando gol, corro para a tevê e vejo o próprio Paulo comemorando, haha, Eram três minutos e o Brasil fazia uma a zero.
Tá, e daí? E daí q o orgulho de ver o sujeito ali falou alto, a gratidão por ter sido ele quem me ofereceu meu primeiro registro de estar no Maracanã em jogo do Flamengo gritou também. Parei o que estava fazendo para assistir e torcer, antes de ser a seleção Brasileia, por ser o gente boa do Paulo Rui. O segundo tempo da partida começa agora, segue o 1 a 0. Espero ver a primeira conquista do sujeito ao vivo. Salve Paulo!
Sexta-feira, Março 20, 2009
Minha paixão pelo Clube de Regatas Flamengo não é novidade. Quem me conhece, trabalha comigo, estudou, lê o blógue ou simplesmente convive tem a exata noção de como gosto daquela instituição clubística. E quarta-feira foi dia, mais uma vez, de dar vazão a essa emoção. Era dia de jogo de basquete pelo Campeonato Brasileiro do esporte. A última vez que tinha ido a uma partida do Maracanãzinho foi justamente na final do ano passado, contra o Brasília. Vitória do Mais Querido.
Voltando à quarta-feira, o jogo começava às 19h, para chegar lá deixei o trabalho, na Candelária, perto das 18h. Teoricamente daria tempo, a distância nem é tanta. Qual caminho tomar? Um ônibus rapidinho da Candelária até a Central do Brasil, evitando a engarrafada Presidente Vargas e seguindo por sua paralela, a Avenida Marechal Floriano.
A Supervia é um cocô
O primeiro estágio deu certo. O próximo passo seria tomar um trenzinho na Central, passar pela estação Praça da Bandeira, São Cristóvão e descer com tranquilidade na Maracanã. Ah, seria tão bom se a Supervia respeitasse aqueles enchem seus cofres. A dinâmica de passar pelas roletas com seus vales-transporte eletrônicos (como eu tenho) é pífia. O indivíduo chega na gare, é mal orientado (ou não orientado) entra em um mafuá pra chegar até as roletas, acotovelando-se, por metros e metros à frente quando percebe que a fila onde está vai se afunilar com a fila ao lado. Ô, que delícia. Ainda mais quando se está com pressa. Segurança? A empresa responsável por explorar o serviço desse transporte no Rio de Janeiro desconhece por completo essa preocupação. No fim das contas, consegui passar a roleta praticamente às 19h.
Ok, já dentro da gare nem tudo parece tão complicado. Peguei um trem para Campo Grande, desci na terceira estação e dei aquela caminhada apressada rumo ao Maracanãzinho. Cheguei ao ginásio já com 20 minutos de partida.
Caríssimo Globo
Sentei sob o friozinho que descia do ar-condicionado. Comprei um caríssimo biscoito Globo que gostou, de bobeira, R$3. Veja bem, um biscoito Globo custando trerreal é pra arregaçar o bolso do trabalhador. Mas como o camelô que me vendeu a iguaria carioca falou, “jogo de basquete do Flamengo no meio da semana é uma higiene mental”. Ô, e como é! Flamengo 100 x Araraquara 83. Mais uma vitória do Mengão que segue em terceiro lugar nesse Brasileirão de bola ao cesto.
Às 20h50 a partida já estava encerrada, a missão cumprida, jogo vencido, pegava eu o caminho da rua quando olho para o lado e encontro Ruy. Hein? Ruy é irmão de uma grande e sumida amiga, Patrícia. Mas até onde sei Ruy era torcedor do Bangu (sim, eles existem!) e do clube da colina. O que faria ele ali, vendo um improvável jogo de basquete do Flamengo?
“Entrei aqui porque está tudo alagado lá fora”, disse ele. Hahaha. Obrigado, Ruy. Já com as luzes do ginásio se apagando fomos caminhando pro lado de fora. A rua ainda coberta por muita água, o trânsito em velocidade lentíssima e uma chuva caindo. Após mais alguma conversa saí de lá, encarei a chuva e parti na direção da estação Maracanã do metrô.
Um breve ser mané é
Pulei poças, subi em parapeitos pra não entrar no meio da água. Tomei o metrô do Maracanã pro Estádio pra fazer a baldeação. Já no Estácio, corri pra plataforma da Linha 1 pra tomar o trem subterrâneo na direção de Botafogo. Entrei, sentei, puxei meu livro, senti uma série de olhares curiosos pra cima de mim, só aí saquei que usava uma roupa de trabalho (calça, sapatos e camisa abotoadinha pra dentro da calça) e uma camisa vermelha e preta do basquete rubro-negro. Melhor, quando olhei pra ver em qual estação estava li “Afonso Pena”. Ahn? Eu tinha pego o metrô do lado errado. Ia na direção da Tijuca e não de Botafogo!
Ok, desci, troquei de lado na estação, tomei o metrô certo e fui pra casa. O jogo acabou antes das 21h e cheguei em casa quase 23h. O tempo normal seria algo perto de 40 ou 50 minutos. Mas tudo bem, uma simples prova de amor à instituição clubística rubro-negra e uma noite de, como disse o camelô, “higiene mental”.
Terça-feira, Março 03, 2009
Não estava só, minha senhora me acompanhava naquele bom momento dominical. A hora avançava e nada mais justo para o estômago que comer algo pra acalmar o estômago que começava ficar incomodado. Passaram alguns camelôs e o do queijo coalha de aproximou. Pôs seu forninho de alumínio na areia, disse quanto custaria dois pedaços de queijo assados “R$2 ou dois por R$5. Quer com orégano ou sem orégano?”. Carinho, mas pedi assim mesmo.
Passou outro camelô, encostou nele. Conversaram enquanto os queijos eram assados. Queijos prontos, o outro camelô seguiu seu caminho pela areia. Mas aquele que nos vendia os queijos se virou pra gente e falou coisas que me pareceram fortes, meio emblemáticas: “A gente tem um filho e para pra pensar... dar um livro, dar um caderno... A gente sai da parada errada pra fazer o melhor”.
É... do alto do meu otimismo voltei a ter na cabeça que nem tudo está perdido. Era um depoimento solto, ali nas areia da praia, sob um sol cruel de tão quente, mas que me vez avivar minha crença que o ser humano tem gente, que nem todo mundo é fura-olho.
Outro dia, de manhã bem cedo, voltava eu da academia. Chegando à esquina da minha rua um ceguinho estava com sua bengala batendo nos canteiros, procurando um caminho sem obstáculos. Achei que seria oportuno perguntar se queria ajuda para atravessar a rua. Falei com ele de auxiliá-lo a atravessar a via até pela faixa de pedestres e tal.
Dispus o braço esquerdo pra que segurasse e eu guiasse sua caminhada. Ele disse que ia até o metrô, mas eu ficaria ali mesmo pela esquina, ainda iria pra casa tomar banho e tal. Pudera, estava suado, recém saído da academia. E, para minha surpresa, além de ceguinho o sujeito também era pidão.
- O senhor não pode me ajudar com dois reais pra eu poder pegar o metrô?, disse ele.
Como estava sem carteira, não havia perigo de sacar uma notinha azul e entregar a ele. Será que o ceguinho não sentiu o cheio do suor do mané aqui? Eu, hein. É a velha história de que você dá a mão e o sujeito pede o braço. Ah, ceguinho....
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
A Santa Cruz me desperta especial carinho por ser a escola em que meu avô, seu Roberto, ajudava na preparação dos carnavais. Ficou como minha melhor herança a paixão pela festa. E cada desfile é uma homenagem em especial a ele. Cada passagem pela Sapucaí tem um gosto especial de lembrança. Ironicamente nunca desfilamos e minha estréia na escola foi mais de dez anos após seu falecimento.
Amanhã, ou melhor, na madruga de sábado para domingo estarei lá, com o povo de Santa Cruz cantando nosso samba e, tudo der certo, "rasgando o chão" da Sapucaí.
Sobrinho do Vicente vai dar os primeiros passos na Passarela do Samba logo mais, o moleque estréia em sua carreira de desfilante em escolas de Samba na Estrelinha da Mocidade. E isso rendeu um ser mané é do Vicente bem caprichado.
Sábado passado, uma semana antes do Carnaval, rolaria o último ensaio da escola mirim, ali em Padre Miguel. Antes de ter a informação do ensaio já havia sido marcado hora no salão pra futucar o dreadinhos vicentinos. A hora: 17h. Tardinho, mas... era a hora que rolava. O salão fica em Copacabana, não exatamente longe da atual casa do Vicente. Ok, lá chegando e começando os momentos de puxação e arrumação da cabelama o tempo passou. Ás 19h saí de lá. O presidente da agremiação mirim é o camarada que me convidou pra fazer parte da escola-mãe, logo é camarada. Tentei ligar pro sujeito duas, três, cinco vezes naquela tarde e noite, mas não consegui. Tomei um táxi até a casa, peguei a roupa que usaria no ensaio da Mocidade, a escola mãe, que começaria a noite e tomei outro táxi rumo à casa da sogra. Na garagem da casa da sogra está o carro utilizado por Vicente, ele tem morado lá no último mês e tal.
Lá chegando, família reunida. Avó, cunhada, cunhado, sobrinhos e, na hora de partir, Vicente percebeu a falta de algo... a chave do carro e o documento tinha ficado em Botafogo. Bola fora minha... Mas tudo bem, os cunhados são bacanas, fomos até a casa deles, que é bem perto, e me emprestaram um dos seus carros.
Tudo resolvido? Sim? Então beleza. Que se pegue a Avenida Brasil e tome o caminho de Padre Miguel que, como diz o samba, “é a capital da escola de samba que bate melhor no Caranval”*. Cruzou-se a cidade. Já na zona oeste lá foi Vicente correndo a pé para a quadra, algo perto das 22h e... a pior surpresa da noite, o banho frio que eu precisava pra me jogar na lama após aquela correria... um aviso na porta da quadra da Mocidade dizia que o ensaio havia sido cancelado por conta da chuva, que não caiu. Ser Mané é correr um tempão pra um evento que foi cancelado... Ô, sorte.
*Verso do samba “Salve a Mocidade”.
É um espetáculo ver mais de mil crianças cantando um samba composto elas, cantado por elas, sustentado por um puxador e uma bateria toda composta por moleques. Encantador e emocionante são as palavras que chegam à cabeça quando penso no desfile mirim.
